eu
A tag "eu" reúne textos que exploram a subjetividade, a identidade e a experiência íntima de ser quem se é. As crônicas e reflexões aqui reunidas nascem de um olhar para dentro — sobre o que nos constitui, o que nos escapa e o que, no silêncio de nós mesmos, insiste em aparecer. Inspirado por perguntas que vêm da clínica, da vida e da literatura psicanalítica, o "eu" que aparece nestas páginas não é centro fixo, mas pergunta; não é resposta pronta, mas caminho em construção. A psicanálise nos ensina que o sujeito é descentrado, que o "eu" não é senhor em sua própria casa. As crônicas aqui reunidas acolhem essa ideia sem rigidez, traduzindo conceitos em vivências, teoria em poesia. Cada texto é um convite a reconhecer, nas dobras do cotidiano, as marcas do que somos. Desde a compreensão do desejo na obra de Lacan até a experiência corriqueira de se perceber no mundo, estas páginas oferecem um percurso sensível sobre o que significa dizer "eu". A cada crônica, aprofundamos uma pergunta que não se esgota: quem sou eu quando não estou performando para o outro? O que resta quando as máscaras caem? Talvez a resposta esteja nos intervalos, no não-dito, naquilo que escapa a qualquer definição.
Os textos a seguir compartilham desta busca — cada um à sua maneira, tocando diferentes camadas do que chamamos "eu". Da presença ao cansaço, do redemoinho à devolução de si, do tempo que falta ao vazio que nos constitui, o que se desenha é um mapa possível da subjetividade. São crônicas que ora interrogam, ora acolhem, sempre com a delicadeza de quem sabe que o eu é, antes de tudo, uma pergunta em aberto.
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Presença
Sobre estar inteiro no instante, mesmo quando o instante dói. Uma crônica sobre habitar o presente com tudo o que somos.
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O cansaço de ser vendável
Uma reflexão sobre identidade, performance e o esgotamento de viver para o olhar do outro.
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Redemoinho calmo
Quando o silêncio dentro de nós tem a força de um redemoinho e a quietude de quem já não precisa fugir.
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Te devolvo pra ti
Sobre devolver ao outro o que nunca foi nosso e, nesse gesto, encontrar a si mesmo.
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A falta que fazem as palavras
Uma crônica sobre o instante em que as palavras fogem e o silêncio fala.
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Talvez uma prece
No limite entre o desejo e a entrega, um texto que se aproxima da oração e do encontro consigo.
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Ne pas céder sur son désir
Uma meditação sobre o desejo e a recusa em renunciar àquilo que nos é mais próprio.
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Aquele Dia
A memória como território do eu — sobre como certos dias nos marcam para sempre.
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Se ainda der tempo
Sobre a urgência de viver o presente antes que o tempo se esvazie — uma crônica que interroga o que fazemos com os dias que nos restam.
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Falta
A ausência como presença — uma reflexão sobre o vazio que habita o sujeito e o constitui como desejante.
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Nas pausas
O que acontece entre um instante e outro? Uma crônica sobre os intervalos que nos definem tanto quanto as palavras que dizemos.
Em cada um destes textos, o "eu" aparece de forma diferente — ora como busca, ora como estranhamento, ora como reencontro. As crônicas do conversinhas.psi acolhem essa investigação com a leveza da escrita literária, sem perder a profundidade das perguntas que nos habitam. Navegar por estas páginas é um exercício de proximidade consigo mesmo. Cada crônica, cada palavra, um fio na trama do que somos. Ainda que o "eu" nunca se revele por completo, talvez seja justamente nessa impossibilidade que resida a beleza do gesto de escrever: tentar dizer, sabendo que o melhor fica nas entrelinhas.